ATENÇÃO: À semelhança de Garrett e de Camilo Castelo Branco (o grande CCB), como Carlos (personagem da novela
Menina dos Rouxinóis) ou como Simão (personagem da novela
Amor de Perdição), também eu aqui escrevo como uma terceira pessoa. Pessoa esta a que chamarei
Alho-Francês Implacável.
Constata Alho-Francês Implacável o seguinte, num dos documentos da
Crónica de um Fodilhão:
A foda teve lugar na praia onde veraneio.
Ao fim da tarde, tinha a minha prospecção de talentos concluída. Referenciei 27 gajas razoáveis, 12 boas, 5 muito boas e 1 de excelência.
Abeiro-me desta última e constato que tem namorado, ou pelo menos um montador oficial.
Todos sabemos que há um pacto universal entre os homens que impede que um gajo se faça à namorada de outro. Felizmente, eu não assinei nada.
De maneiras que, quando este cabrão foi ao banho, fiz sinal ao meu primo que tem uma mota de água para que lhe abalroasse a cabeça duas ou três vezes.
Ainda a sirene da ambulância se ouvia e já eu estava numa barraca com aquela pachacha de qualidade superior, que não perdeu tempo a arranjar picha substituta.
O Verão é curto como a picha de um japonês anão e as gajas sabem disso. Começa o forrobodó, linguadões para aqui, broches para ali, eu afasto a cueca do biquini e, acto contínuo, enfio-lhe um dedo na crica.
A gaja desata aos gritos, sai da barraca a correr e atira-se ao mar.
Cheiro o dedo e lembro-me nessa altura que, durante a tarde, tinha ido petiscar uns caracóis, que havia regado generosamente com picante.
O dedo que lhe meti na rata ainda sabia a Tabasco, e deixou-lhe as bordas da cona a arder.
Passado um bocado, voltou da água e disse-me, docemente:
"O que é que tens na mão, porco do caralho?"
E eu:- "Nada."
E ela:"Deixa-me cheirar."(Nesta altura já eu tinha chupado os dedos todos, para retirar o picante.)
Diz ela:- "Hum... Senti um ardor tão forte... O que seria?"
E eu: "Algum pintelho encravado. Eu faço-te um minete e isso passa."
Foi má ideia. Como tinha chupado os dedos para tirar o Tabasco das mãos, fiquei com picante na língua. À segunda lambida na senaita, diz ela:"Mau, está-me a arder outra vez..."
E eu:"Ora vês? Devias ir tratar disto. Se calhar tens para aqui algum esquentamento... Mas eu não me importo: levas com a bandarilha na mesma."
E ela: "Bandarilha? Sou alguma vaca, ou quê?"
E eu: "Mas há dúvidas?"
E ela: "Ai, Alho-Francês Implacável, já estou toda húmida."
E põe-se logo na posição de levar com ele de cernelha.
São estas as qualidades do bom fodilhão: presença de espírito, capacidade de improviso, talento para a aldrabice. No final, salvou-se uma foda que parecia perdida e ainda se fez um brilharete, uma vez que a gaja foi para casa a pensar na magnanimidade deste vosso criado. Já estou a vê-la a confidenciar às amigas:
"O Alho-Francês Implacável até come rata avariada!"
Nenhum dinheiro paga esta publicidade, caralho.
(adaptação de O Meu Pipi, da autoria do célebre Pipi.)